O Brasil na Primeira Guerra Mundial

Duílio Battistoni Filho – historiador, professor aposentado da PUCCamp. Titular da Cadeira 6 do IHGG Campinas.

Resumo:

O autor nos oferece um pequeno resumo do trágico evento conhecido como a Primeira Guerra Mundial, ocorrido na Europa entre 1914 e 1918.

Brazil in the First World War.

Abstract:

The author writes a short summary of the tragic event known as the First World War in Europe between 1914 and 1918.

* * *

Em 11 de novembro de 1918, encerrou-se a Primeira Guerra Mundial, com o Armistício de Compiègne, cidade ao norte de Paris, na França. Nesses pouco mais de cem anos em que se comemora o seu final, podemos avaliar o que foi a vitória dos Aliados contra a Alemanha. Uma verdadeira carnificina. Basta dizer que o saldo do conflito, com a participação total de 42 milhões de homens mobilizados pelos Aliados, pelo menos 7 milhões tenham perdido a vida, entre feridos e desaparecidos (um bom romance que trata dos horrores da guerra é Johnny vai à guerra, de Dalton Trumbo, publicado em 1939, ironicamente no ano em que foi deflagrada a Segunda Guerra Mundial…).

A participação do Brasil foi discreta. Quando irrompeu a luta em 1914, ainda no final do governo do Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914), inúmeros decretos presidenciais determinavam que fosse observada completa neutralidade com relação às potências envolvidas. Entretanto, em 31 de janeiro de 1917, a Alemanha notifica o bloqueio das costas da Grã-Bretanha, França e Itália e a parte oriental do Mediterrâneo; nesse sentido, solicita ao governo brasileiro que alerte seus navios dos perigos que correm entrando nas zonas interditadas. Apesar dos protestos do Brasil, o navio cargueiro brasileiro, “Paraná”, foi torpedeado no Canal da Mancha, sendo sua guarnição salva, embora três homens tenham morrido. Esse incidente determinou a ruptura das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e a Alemanha.

No dia 22 de maio, outro navio brasileiro, o “Tijuca”, foi afundado em frente de Brest, no litoral norte da França, mas a tripulação foi salva. Outros navios foram torpedeados como o “Guaíba” da Companhia de Comércio e Navegação, carregados de café, couros e cereais, provenientes do Rio de Janeiro e de Santos. No dia 26 de maio, o então presidente Wenceslau Brás (1914-1918) enviou mensagem ao Congresso Nacional comunicando esses fatos. Este, imediatamente aprovou por 140 votos a 1, apenas, a declaração de guerra à Alemanha.

Em um banquete realizado no Derby Club do Rio de Janeiro, o poeta Paul Claudel, ministro da França no Brasil, não hesitou em levantar um brinde ao Ministro das Relações Exteriores, Nilo Peçanha, saudando a participação brasileira na Primeira Guerra Mundial. Nos meios intelectuais, por exemplo, levados em conta a sedução e o fascínio que a França exercia, poucos foram os que se puseram ao lado dos alemães. Um dos defensores de primeira hora dos Aliados foi o critico literário José Veríssimo que publicou artigos defendendo a causa dos interesses britânicos, franceses e brasileiros.

O Brasil atuou em três frentes. A primeira era uma missão de cem cirurgiões que, paralelamente atenderam aos feridos em combate e pacientes acometidos do grave surto de gripe espanhola. Na segunda, foram enviados 13 pilotos do Exército e da Marinha que tinham estudado aviação na Itália, já que o Ministério da Aviação somente seria criado em 1941. Estariam subordinados à Royal Air Force (RAF). Nossos aviões se restringiram a patrulhas costeiras, pois o bom senso não recomendava combates. Tinham pouca experiência de voo, restrito ao Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, então nossa primeira base aérea. A terceira fase era a solicitação do Almirantado Inglês para que o Brasil enviasse uma esquadra composta de um cruzador, quatro contratorpedeiros, um rebocador e um barco de apoio para patrulhar o Estreito de Gibraltar, importante área militar estratégica.

Fato pitoresco é que o barco de apoio “Belmonte” não tinha boa fama. Era apelidado de Guiomar Novaes (1894-1979) porque “fazia um conserto em cada porto”. O Brasil chegou à conferência do armistício, a partir de fevereiro de 1919, praticamente sem vítimas, exceto as resultantes do torpedeamento de navios mercantes. Para chefe da missão do Brasil nessa conferência, foi nomeado Epitácio Pessoa, que mais tarde seria eleito presidente da República. A delegação brasileira, ocupando quase um navio, era composta de 10 membros, quase todos acompanhados de suas respectivas famílias. Vamos convir, qualquer semelhança com os dias atuais é mera coincidência…

Referência bibliográfica:

REVISTA do IHGG Campinas, número 1, 2006.

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