Apresentação: Revista IHGG Campinas, N. 5, Ano 2019. (Lançamento!)

Preface to the: IHGG Campinas Magazine, N. 5, 2019. (New!).

Beatriz Piva Momesso – historiadora, titular da Cadeira Nº 12 e Fernando Antônio Abrahão – historiador, titular da Cadeira  11 e presidente do IHGG Campinas.

Como organizadores desta publicação, não imaginávamos que desfrutaríamos de tão bons momentos inspiradores proporcionados pela seleção dos 30 artigos que compõem este quinto número da Revista do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

Graças à colaboração consistente e eficaz de titulares e correspondentes deste Instituto, foi possível oferecer ao público esta obra que traz textos riquíssimos para os interessados nas várias vertentes da história e da cultura. Os artigos descortinam horizontes, muitos deles insuspeitados, e apontam para novas pesquisas e reflexões. Trata-se de uma leitura cujo mérito reside em ser, ao mesmo tempo, clara e profunda. Qualidades estas que permitem sublinhar o caráter obrigatório da obra para estudantes, pesquisadores e interessados em ampliar seus conhecimentos básicos sobre a nossa história. Nesse sentido, o IHGG Campinas cumpre seu papel de colaborar com as pesquisas desenvolvidas em âmbito universitário. O empenho apaixonado e sério de muitos campinenses e amantes da cidade que pertencem ao Instituto, muitos deles desde a sua fundação em julho de 2006, é o motor que nos permite conservar e transformar as tradições culturais da nossa querida Campinas.

Sem o trabalho consciencioso do nosso coordenador editorial, o professor Sérgio Eduardo Montes Castanho, na revisão e adequação formal dos textos, a publicação não como essa que será lançada no dia 14/7/19, como parte das comemorações do nosso 13o. aniversário. Ao Sérgio é justo declararmos um agradecimento especial. Queremos registrar, também, a nossa sincera admiração aos titulares que batalham desde a fundação do Instituto, bem como a todos os que a ele se vincularam ao longo desses 13 anos de um agradável compromisso com a nossa história e a nossa cultura.

Agora vamos aos textos!

Abrindo a quinta edição da Revista do IHGG Campinas, Ivanilde Baracho de Alencar apresenta os ideais, concepções e ações que orientaram a criação do Instituto em 14 de julho de 2006 e explica a missão a que veio, quando foi forjado por ela e seu marido, Expedito Ramalho de Alencar. Também esclarece seu compromisso, não só com a História e a Geografia, mas também com a Genealogia.

A seguir, no primeiro bloco de artigos, os autores relembram intelectuais campinenses de envergadura e suas contribuições para a própria cultura brasileira. Olga Rodrigues de Moraes von Simson escreve sobre o trabalho do saudoso professor José Roberto do Amaral Lapa, docente que fomentou em várias gerações de jovens historiadores vinculados ao Centro de Memória da Unicamp (CMU), o gosto e a habilidade para a pesquisa e a escrita da história regional. Jota Toledo, artista plástico e literato, é visto sob a perspectiva do surrealismo, por Agostinho Toffoli Tavolaro. Já os artistas campineiros presentes na Semana de Arte Moderna de 1922 são relembrados por Lucas Camargo. Alguns deles, embora não residissem em Campinas, tinham a cidade como referência familiar, ou mesmo passaram por aqui, onde, em muitos casos, carregaram memórias inspiradoras ou produziram exposições artísticas que serviram de laboratório para as suas futuras criações.

Beatriz Piva Momesso e Eliane Morelli Abrahão mostram a localidade em conexão com a Corte e, posteriormente, com a República. A primeira escreveu sobre Francisco Quirino dos Santos, advogado, jornalista, editor da Gazeta de Campinase autor de conteúdo literário abolicionista em plena década de 1860. Já Eliane Morelli tratou das práticas alimentares e de seu papel para a sociabilidade política, ao examinar os menus da coleção do presidente Washington Luís, entre 1889 e 1930.

A política, em seu viés diplomático, aparece no artigo de Geraldo Affonso Muzzi, retratando a história das relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela, desde o século XIX. Em instigante abordagem, o autor diferencia o chavismo do bolivarismo no âmbito dessas relações.

A seguir, agora a partir da abordagem da história oral, da qual a professora Olga von Simson é uma das expoentes no cenário universitário brasileiro, vêm à tona os sambistas históricos e as danças afrodescendentes em Campinas, analisados como estratégia de preservação da cultura e inclusão social.

As fontes populares emergem novamente no artigo de Regina Márcia Moura Tavares, através da análise dos traços políticos e sociais na primeira obra musical de Carlos Gomes, a Cayumba, ocasião em que o maestro homenageia os quilombos da cidade de Campinas.

Os temas diretamente relacionados à imigração compõem o corpo de artigos escritos por Duílio Battistoni Filho, Maria Eugênia Lima Montes Castanho e Gilberto Gatti. Battistoni Filho aponta as questões envolvidas na criação da hospedaria de imigrantes, em 1891, em Campinas, interrompida por falta de recursos quando em estágio de construção avançado. Em diálogo com este autor, Gatti observa editais, avisos e atas oficiais que continham as decisões que embasaram a criação de alojamentos emergenciais de imigrantes, como, por exemplo, o galpão da antiga fábrica dos Irmãos Bierrembach, no largo de Santa Cruz, ou ainda no mercado grande. Maria Eugênia opta, por sua vez, por refletir acerca do caso concreto de duas famílias italianas que imigraram para o oeste paulista, constituindo um grupo familiar de longa descendência, na qual a própria autora se inclui. De modo hábil, pensa as implicações que envolveram a imigração italiana no século XIX, considerando o microcosmo familiar.

Partindo para estudos de raízes oitocentistas que envolvem o uso de linguagens, gestos e práticas culturais, Beatriz Piva Momesso e Juliana Gesuelli Meirelles abordam temas políticos. O artigo Entre o Império e os dias atuais: política, eleições e práticas eleitorais no Brasil discute sobre continuidades no universo da história do voto no Brasil. Por sua vez, Meirelles mostra ao público questões diretivas e as respostas às hipóteses que orientaram seu trabalho de doutorado, cujo objeto se situa no período joanino.

Odair Alonso nos traz um esboço biográfico do ícone campinense da literatura brasileira, Guilherme de Almeida, mostrando suas múltiplas faces de jornalista, poeta, intelectual modernista e revolucionário paulista, em 1932.

Nos quatro artigos que seguem, Sérgio Eduardo Montes Castanho, Maria Eugênia Montes Castanho e Ana Maria de Melo Negrão nos brindam com preciosos textos sobre a história da educação. As instituições abordadas nesses textos surgiram no final do século XIX e tiveram grande peso na educação local e regional. São elas: a Escola Normal, o Colégio Culto à Ciência, o Liceu Salesiano e o Grupo Escolar Francisco Glicério. Maria Eugênia e Sérgio demonstram amplo conhecimento da legislação educacional ao cruzá-la com os fatos históricos, para perceberem as mudanças nas trajetórias das instituições. Imbuídos de pesquisas acadêmicas desenvolvidas em projetos universitários, são muito felizes na análise da elaboração dessa história. Já Ana Maria recupera, passo a passo, a luta de Maria Umbelina Couto e de Cônego Nery para a construção de um Liceu Salesiano que apoiasse uma cidade prejudicada pelas epidemias do fim do século XIX.

O universo caipira da região e suas peculiaridades culturais é tema de Luiz Carlos Ribeiro Borges. Além de aprofundar no léxico e universo literário, faz alusão ao romance de José de Alencar, Til, que se passa em território rural localizado entre Campinas e Piracicaba. Em certo sentido, ainda dentro desse campo, Eliane Morelli examina cuidadosamente a história da alimentação a partir das festas juninas brasileiras, desde tempos coloniais, fazendo uso de ricas fontes históricas, entre elas os cadernos de receitas familiares guardados no Centro de Memória da Unicamp.

O provocador artigo de Duílio Battistoni Filho Por que o Brasil foi o último país da América Latina a abolir a escravidão?, versa sobre os temas a partir, também, de casos pontuais ocorridos em Campinas. Em continuidade, Fernando Antônio Abrahão apresenta algumas conclusões sobre o amplo tema, fazendo uso de rica documentação judicial, também guardada no Centro de Memória da Unicamp. Conhecedor desses arquivos, ele desfaz alguns chavões sobre o assunto.

Conjugando a vida política e cultural da cidade na primeira metade do século XX, os artigos de Rubem Costa e Jorge Alves de Lima relembram três grandes mulheres artistas que agitaram Campinas em tempos difíceis. A primeira delas, Estelinha Epstein – pianista brasileira de origem judia e de fama internacional; a segunda, Sara Bernhard – artista francesa que apresentou, com a sua Companhia, a peça Dama das Camélias no antigo Teatro São Carlos e, por fim, a consagrada Carmem Miranda, que participou dos festejos do bicentenário da fundação de Campinas, em 1939. Quanto à última, Rubem Costa, hoje o decano do nosso Instituto, que à época era repórter do Diário do Povo, relata tê-la socorrido em um leve acidente de trânsito sofrido nas ruas da cidade.

Para fechar com chave do ouro, o quinto número dessa coletânea traz o precioso Dossiê composto de artigos sobre os estudos que embasaram os três primeiros pedidos de tombamento do nosso grupo, apresentados ao Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC): os mausoléus dos operários mortos na Greve Geral de 1917, o muro remanescente do antigo Stadium da avenida Júlio de Mesquita, e a residência e a clínica médica do Dr. Clemente de Toffoli. Em artigo anterior, Regina Márcia Tavares aponta a preservação do patrimônio cultural como forma de garantir a identidade e a autoestima dos cidadãos. Por isso, a publicação termina, não por acaso, com esse brinde à história e à memória de Campinas.

Reiteramos os nossos agradecimentos aos colaboradores e, especialmente, à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), que tornou possível a publicação desta quinta coletânea destinada à divulgação dos resultados de investigação do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

Desejamos a todos uma ótima leitura.

Referência Bibliográfica:

MOMESSO, Beatriz Piva e ABRAHÃO, Fernando Antônio. (Organizadores). (2019). Revista do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas. Campinas, SP: Pontes Editores e IHGGC, Número 5.

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