Revolução Liberal de 1842: o Combate da Venda Grande

Liberal Revolution (1842): the Venda Grande Battle (Campinas, SP, Brazil).

Por Alcides Ladislau Acosta – jornalista, musicista. Presidente do Centro de Ciências, Letras e Artes e da Associação Brasileira de Artistas Líricos “Carlos Gomes”.

Houve um combate em Campinas?

Sim, exatamente isso! Talvez você não saiba, mas a região chamada de Campo dos “Amarais”, situada entre o atual Aeroporto dos Amarais e o Ribeirão Quilombo, tem uma enorme importância histórica: foi onde se deu o Combate da Venda Grande, em 7 de junho de 1842.

Nesse combate as tropas do Império derrotaram as forças rebeldes de um movimento iniciado em 17 de maio de 1842 em Sorocaba (SP), chamado “Revolução Liberal”, sob comando do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (que pouco antes, em 1831, havia criado a Polícia Militar do Estado de São Paulo) e do Padre Diogo Antonio Feijó, que faleceu um ano depois do combate (1843) e que havia sido Deputado, Senador, Ministro da Justiça e finalmente Regente do Império de 1835 a 1837.

O movimento liberal ergueu-se contra os conservadores, que vinham aprovando leis contrárias aos interesses liberais. Os liberais pretendiam depor em São Paulo o Governador do Estado (que então era chamado de Presidente da Província) e transferir a capital para Sorocaba. Depois, aclamar Tobias de Aguiar como o novo Presidente da Província e marchar em direção ao Rio de Janeiro para depor o governo conservador, devolvendo o poder aos liberais, mantendo-se a monarquia. Mas foram vencidos em Campinas.

Foi neste combate que o Capitão Ituano Boaventura do Amaral (hoje nome de importante rua no centro de Campinas) e dezenas de outros revoltosos, foram mortos pelos comandados do coronel Amorim Bezerra, que o então Barão de Caxias (que se tornaria depois Conde, Marquês e finalmente Duque de Caxias) mandou para atacar os paulistas.

Tobias de Aguiar foi preso e levado ao Rio de Janeiro. Diogo Feijó foi levado para São Paulo e dali para Vitória (Espírito Santo). Foram ambos anistiados em 1844 pelo Imperador Pedro II.

Nesta região em que se deu o combate havia uma construção onde funcionava uma venda (chamada de “Venda Grande”) construída provavelmente em 1802. Quando se deu o combate ela estava quase abandonada e seu proprietário (o rico Major Teodoro Ferraz Leite) já era falecido. Ela foi retratada em um quadro a óleo pelo pintor “Dutra”, cuja imagem é destaque no início deste artigo.

No térreo situavam-se os serviços e no andar superior residia a família do Major que era senhor de engenho. O local era então conhecido como o “Sítio do Teodoro” ou “Venda Grande”.

Muitos dos mortos foram sepultados em torno da Venda Grande, sendo depois removidos para locais não identificados. Mas a tradição popular ainda hoje ocasiona manifestações de respeito como o aparecimento de velas e imagens junto ao marco ali existente.

É possível que você às vezes passe indiferente pelo marco construído no canteiro central da Rua Dário Freire Meireles e nem se dê conta de sua importância. Mas ele existe exatamente para lembrar e homenagear este fato histórico.

Neste ano de 2018, a cerimônia ocorrerá no próximo dia 7 de junho, 5ª feira, às 10h da manhã, pontualmente (a solenidade está prevista com duração de aproximadamente uma hora e meia). O local da comemoração é o final da Avenida Dário Freire Meirelles, altura da casa de nº 22, onde se situa o Monumento ao Combate da Venda Grande, Bairro Jardim dos Amarais, Campinas (SP).

Trata-se de ato cívico apoiado por diversas instituições, como a Secretaria Municipal de Cultura, a Polícia Militar (CPAI-2), Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), Academia Campineira de Letras, Ciências e Artes das Forças Armadas, Patrulheiros de Campinas, Guardinha (Associação de Educação do Homem de Amanhã), do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas (IHGGC), entre outras.

A população do entorno do monumento está igualmente sendo convidada. Nossa esperança é realizar um evento bem sucedido, com expressivo afluxo popular. Haverá, na ocasião, palestra a cargo do historiador Duilio Battistoni Filho, membro da Academia Paulista de História, da Academia Campinense de Letras, do Instituto Histórico de Campinas e Diretor do Centro de Ciências, Letras e Artes, que falará sobre a importância histórica do evento que estará sendo lembrado e comemorado.

Teremos, igualmente, a apresentação da Banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Será grande nossa honra de contar com a presença dos associados e amigos do Instituto Histórico de Campinas.

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