A Escola Normal de Campinas e Sua História

The Escola Normal de Campinas and It`s History.

Por Maria Eugênia L. Montes Castanho – educadora, professora. Titular da Cadeira  36 e oradora do IHGG Campinas.

A memória – coisa estranha! – não registra a duração concreta… É pelo espaço, é no espaço que encontramos os belos fósseis de duração concretizados por longas permanências. O inconsciente permanece nos locais. As lembranças são imóveis, tanto mais sólidas quanto mais bem espacializadas.
Gaston Bachelard

Falar sobre a Escola Normal de Campinas. Autores importantes já afirmaram que a História é a maior ciência já que todas as outras lhe são tributárias. Inúmeros caminhos desfilam pelo olhar do pesquisador quando se propõe falar sobre qualquer tema. Tentarei organizar minhas descobertas de modo claro que transmitam um pouco da riqueza de nossa história.

No bairro do Cambuí, em Campinas, SP, há uma pequena rua chamada Carlos Kaysel. Descobri que, de origem alemã, Carlos Kaysel foi vereador em Campinas e em 1901, apresentou indicação para que se encaminhasse ao governo estadual solicitação de instalação de uma Escola Complementar e um Grupo Escolar em Campinas, mais tarde denominada Escola Normal.

Após muita disputa na Câmara dos Deputados do estado, registrando-se que Bento Pereira Bueno (secretário do Interior) e Bernardino de Campos (presidente do estado) defenderam a ideia, e este último aprovado com o nome de Escola Complementar de Campinas. Foi instalada em 13 de maio de 1903 num velho casarão alugado pela municipalidade, na esquina das ruas Francisco Glicério e Treze de Maio, no largo da Catedral. Muitas décadas depois o prédio foi demolido para o alargamento da Avenida Francisco Glicério e no local foi construído o Hotel Terminus e hoje ali funciona a loja Magazine Luiza. Quase dez anos depois da inauguração a Escola Complementar (1912) passa a ser Escola Normal Primária, já com mais atribuições para a formação de professores primários. Depois, Escola Normal de Campinas, em 1920, com a Reforma Sampaio Dória.

A República criou tais escolas visando desenvolvê-las qualitativa e quantitativamente como instituições responsáveis pela qualificação do magistério para a educação básica. De fato, o advento da República aprofundou as preocupações com a educação e foi decisiva a reforma da escola normal do Estado de São Paulo, quando ocorre uma ampla reforma da instrução pública reconhecendo que a não capacitação dos professores era um dos maiores problemas. Em 1924 a escola de Campinas muda-se para o edifício atual na Avenida Anchieta, com a presença do presidente do Estado, Washington Luís.

Em 19 de maio de 1936, seu nome é Escola Normal “Carlos Gomes”, em homenagem ao músico campineiro. Em 1942 passou a ser Escola Normal e Ginásio Estadual “Carlos Gomes”. Nova mudança em 1951: Instituto de Educação “Carlos Gomes”, posteriormente Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes”.

Funcionários na década de 1951
Funcionários – década 1951

A partir de 1976, com a Lei nº 5.692/71 e consequente extinção das escolas normais, recebeu a denominação de Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Carlos Gomes” e em 1998, Escola Estadual “Carlos Gomes”. As alterações devem-se às inúmeras reformas no campo da educação havidas durante todo o século XX.

Os reformadores do ensino em nosso estado, no início da República e no decorrer do século XX em síntese esforçaram-se por uma organização para a escola pública concentrada nos grupos escolares e nas escolas normais com inúmeros avanços e problemas. Ocorreu inovação educacional e pouca democratização do ensino. Hoje a formação de professores para a educação básica se dá no âmbito da educação superior.

No entanto, as esperanças depositadas na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (Lei n. 9394/96) para enfrentar o problema da formação de professores resultaram frustradas.

Com relação à importante questão da qualificação docente, não é verdade que a rede particular seja qualitativamente melhor que a rede pública: a má qualidade de muitas escolas superiores privadas de formação de professores contribui para determinar a baixa qualidade da rede pública de educação básica. O financiamento e o magistério são os “dois pontos fulcrais” sem os quais as metas do PNE não poderão ser atingidas.

Para falar sobre os dias atuais e a necessidade de luta permanente tendo por horizonte um país melhor, especialmente pela educação pública de qualidade e para todos, cumpre lembrar os educadores Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo que lideraram grandes iniciativas na área da educação. Foram “vocações públicas num país de ferozes interesses privados” e tinham a ânsia de demonstrar ao mundo a importância da escola na construção de uma sociedade mais justa e a possibilidade de transformá-la em fórum pela implantação de novas rotinas na direção de uma proposta pedagógica de vanguarda. Trocaram correspondência entre 1929 e 1971 onde o passado ganha vida e se pode notar as questões que se faziam mutuamente sobre os rumos educacionais:

    “Vale a pena ser educador? Vale a pena defender a educação como bem público e enfrentar incompreensões, caprichos, antipatias, ou mesmo indiferença? De onde vem a força para enfrentar a hostilidade contra a realização da educação popular e realizar o sonho de um país cidadão, humano e solidário?”

3 comentários

  1. Estudei na Escola Normal Carlos Gomes e me formei em 1964 como Professora Primária. Que saudade daquela época. Não lecionei porque já estava trabalhando em uma grande empresa onde tive a oportunidade de fazer carreira, cursos de linguas e um bom treinamento para atuar no mercado externo, durante 30 anos. Hoje estou aposentada.

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  2. Concluí ensino médio nessa escola em 1966 e há cinquenta anos aplico os saberes lá recebidos. Guardo excelentes lembranças dessa época da minha adolescência! Sou grata aos educadores que foram tão adequados e que são grandes personalidades de Campinas. Parabenizo o IHGGC na pessoa do abnegado JORGE ALVES DE LIMA. Parabenizo também MARIA EUGÊNIA L.M.CASTANHO pela transmissão profissional desse conhecimento todo quanto a nossa história.

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  3. Fui normalista em uma época em que tínhamos estofo para sermos mestras.
    Não conclui o curso; optei por contabilidade, época em que o curso técnico nos bastava para sermos contadores.
    Mais adiante fiz letras na PUCC, não usei o certificado (na época, diploma ) para ser professora, queria ser, e fui uma ótima secretária .

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