A importância da natureza nos primórdios de Campinas, no século XVIII

Celso do Lago Paiva – engenheiro agrônomo, pesquisador de História da técnica construtiva colonial, epigrafia histórica colonial, História da cultura e História da agricultura. Sócio Correspondente do IHGG Campinas em Minas Gerais, Parque Nacional da Serra do Cipó.

Resumo:

A colonização da região de Campinas, no centro-leste da região paulista, no sudeste do Brasil, na primeira metade do século XVIII, dependeu fortemente dos recursos naturais ali encontrados, como: clima ameno, pluviosidade prolongada, água de chuva farta, água de rios e córregos, água freática, caça e peixes, flora com espécies úteis, solo fértil, terra argilosa, argilas e pedras. O artigo trata dos recursos vegetais nativos necessários à construção de edificações na técnica da “taipa-de-mão”.

The importante of nature in Eighteenth Century, at early Campinas (SP, Brazil).

Abstract:

The colonization of Campinas region, center-east of the São Paulo region, southeastern Brazil, in the first half of the 18th century, depended heavily on the favourable natural resources found there, such as mild climate, abundant rainwater, river water, groundwater, wild animals to hunt and fish, flora with useful species, fertile soil, clayey soil, clays and stones. The article deals with the native vegetal resources necessary for the construction of buildings using the “wattle and daub” technique.

* * *

Neste e em próximos artigos abordarei a importância dos recursos naturais em frentes de colonização, focando no caso dos primeiros tempos de Campinas no século XVIII, então sertão de Jundiaí, na Capitania de São Paulo, sudeste do Brasil. Quase toda a informação provém de pesquisas próprias realizadas, em Campinas, Jundiaí, São Paulo, Santana de Parnaíba, São Roque, Sorocaba, Itu, Porto Feliz, Indaiatuba, Monte-Mor, Piracicaba, Americana e outras cidades paulistas, e em várias regiões de Minas Gerais e outros Estados, desde 1985; dezessete artigos e capítulos de livros foram publicados em decorrência desses levantamentos.

Nas primeiras décadas do século XVIII iniciou-se a colonização efetiva da área do atual município de Campinas, ainda mera rota de passagem de sertanistas (mineradores, predadores de indígenas e comerciantes), autoridades e militares que buscavam regiões dos agora Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Pará e Amazonas, vindos das freguesias de São Paulo, Taubaté, Jundiaí, Santana de Parnaíba, Itu e Sorocaba e de outros núcleos.

Oriundos do Vale do Paraíba, de Jundiaí e de Minas Gerais, os colonos – de “sangue” português, espanhol, indígena e mestiço – precisavam se certificar da existência dos preciosos recursos naturais garantidores da sobrevivência, como clima ameno, pluviosidade prolongada, água de chuva farta, água de rios e córregos, água freática, caça, peixes e insetos comestíveis, flora com espécies úteis, terra argilosa, argilas e pedras. Os assentamentos provisórios dependiam desses recursos. Os novos pioneiros setecentistas demandavam solo cultivável, argiloso, fértil, profundo, plano ou pouco acidentado, e naturalmente amanhado (sem pedras), para os assentamentos definitivos; nesses solos se lançariam, após supressão de matas, sementes de algodão, milho, abóboras, “jacatupé”, feijões, amendoim, melancia, coentro e outras plantas de horta, se plantariam mudas da “maniva” (planta produtora da mandioca), colmos (mudas) de cana-de-açúcar, tubérculos de batata-doce e de carás, rizomas de “gengibre”, mudas de couves e outros alimentos então em voga. Ao redor das casas se plantariam “ananaseiros”, videiras, “plantas de espinho” (“laranjeiras”), “marmeleiros”, “pereiras” e outras fruteiras, quase todas eurasianas, já que as frutas tropicais ainda não eram muito empregadas, nem bem conhecidas. No entanto frutas aparentemente eram de consumo menos generalizado, na época, do que hoje.

Os colonos devem ter verificado a existência de todos esses recursos naturais no “sertão do Mato Grosso das Campinas”, nas matas pujantes, ainda mais ricas em árvores gigantescas, com madeiras duras e resistentes (euxilóforas), que as matas de suas regiões natais, já intensivamente exploradas e extensivamente destruídas. Matas, cerrados e campos da nova região eram ricos, ainda, em madeira combustível (lenha), fundamental para os “fogos domiciliares e para as fornalhas dos engenhos e das casas-de-farinha, gomas comestíveis (como as dos “angicos” do gênero Anadenanthera, Leguminosas), capins (Poáceas) para forrageamento de porcos, jumentos, burros, mulas, cavalos e ovelhas, fibras para usos múltiplos, plantas medicinais e mel de abelhas nativas sem ferrão (Himenópteros Meliponídeos).

Frutas comestíveis abundavam nas árvores nativas dos cerrados, que então ocupavam vastas áreas das regiões, como no Campo Grande e entre o Ribeirão Anhumas e o Rio Jaguari. Esses cerrados, e campos naturais (inclusive de nascentes), eram pastagens estratégicas para animais domésticos.

A caça, abundante e variada, fornecia proteínas básicas para a sobrevivência, antes que se pudesse prover os porcos dos alimentos forrageiros (como milho, mandioca, carás e abóboras) advindos da lide agrícola. E caça sempre servia para variar a alimentação, o que garantiu a conservação de vastas áreas não-desmatadas, para provimento da caça aos colonos já estabelecidos. Algumas dessas áreas preservadas como reservas de caça subsistem até hoje como testemunhos da vegetação primeva, como as duas “Matas da Santa Genebra”.

Peixes saborosos eram abundantes nos rios Capivari, Atibaia e Jaguari, onde eram buscados em expedições para prover os colonos de peixe defumado em “moquém”, além de serem encontrados, em menor cópia, em rios tributários e em córregos e brejos nas propriedades.

Plantas, como as “embaúbas” (espécies de Cecropia, Urticáceas) podiam ter a madeira queimada e fornecer cinzas salinas, que, purificadas, geravam sal ordinário, mas útil para alimentação, para salgar carne de porco e peixes, e como suplemento alimentar do gado. Vagens de feijões e cinzas de madeira forneciam a “diquada” ou “barrela” (soluções alcalinas) para a confecção, com a banha de porcos, de sabões, muito valorizados.

As encostas dos serrotes e morros eram ricas em nascentes, sendo os córregos conduzidos em regos para o abastecimento das residências, a irrigação das culturas e o acionamento dos monjolos, engenhos e moinhos de fubá. Córregos ainda podiam ser barrados (represados) em açudes de uso múltiplo, tradicionais na cultura mouro-hispânica. Água freática (de lençóis pouco profundos) podiam prover os colonos de água abundante, onde fosse necessária a escavação de poços.

Pedreiras supriam os colonos de pedras para edificação (estivas, calçadas, escadas, muros e vedações) e para lavra de mós dos moinhos, sendo afamado, para isso, o “granito-vermelho” encontrado na bacia do Rio Jundiaí, ao sul da região campineira, mais fácil de se lavrar do que a “pedra-ferro” (diabásio, de grã muito mais fina e mais abundante na região).

Não sabemos quais seriam as madeiras mais empregadas para edificação na primeira metade do século XVIII em Campinas. Mas, a se julgar por edificações sobreviventes encontradas em regiões paulistas, supomos que poderiam ter sido amplamente aproveitadas: “cambará” (Moquiniastrum polymorphum, Asteráceas) “ipê-amarelo-da-mata” (Handroanthus serratifolius, Bignoniáceas), “canela-preta” (Nectandra megapotamica, Lauráceas), “aroeira” (Myracrodruon urundeuva, Anacardiáceas), “jequitibás” (Cariniana legalis e Cariniana estrellensis, Lecitidáceas), “cedro-rosa” (Cedrela fissilis, Meliáceas).

Da família das Leguminosas forneciam madeiras excelentes: “canafístula” (Cassia ferruginea), “jatobazeiro” (Hymenaea stilbocarpa, Leguminosas) “jacarandá-paulista” (Machaerium villosum), “araribá” (Centrolobium robustum) e “cabreúva” (Myroxylon balsamum), entre outras. A diversidade local era grande de madeiras duras, pesadas, pouco dadas a rachaduras, serráveis com “traçadores”, resistentes e passíveis de ser “acabadas” com enxós e lixas.

Havia demanda, ainda, por madeiras mais leves e macias, para tábuas, bancos, caixotes, caixetas para marmeladas, forros, cangalhas, canoas (para navegação e para transposição de rios nas estradas) e outros equipamentos “levianos”; “ibirapuitá” (Peltophorum vogelianum) e “timboúva” (Enterolobium contortisiliquum), ambas Leguminosas, e outras árvores, as supriam.

Abundância de madeiras excelentes, cipós e palhas garantia materiais suficientes para as edificações, quer residenciais e religiosas (capelas e cruzeiros), quer utilitárias (chiqueiros, paióis, engenhos, casas-de-farinha, depósitos, pousos, vendas, cercas, pontes, estivas e outras) e estruturas e equipamentos (como os ubíquos “monjolos” dos paulistas, para a fatura da indispensável farinha-de-milho, carros-de-bois e “taipais” para a “taipa-de-pilão”).

A mata semidecídua da região de Campinas, que perdia anualmente parte de sua folhagem na estação seca e fria, mas crescia sob regime de chuvas intenso, de outubro a março, em áreas de solo ubérrimo (latossolos vermelhos e amarelos – derivados da decomposição do basalto, massapê – derivado de granitos, e neossolos – solos aluviais das fertilíssimas baixadas úmidas), altitude ao redor de 700 metros e hidrografia densa, poderia fornecer materiais imprescindíveis à edificação das construções, quase sempre de “taipa-de-mão” (ou “taipa-se-sopapo”) (Figuras 1, 2 e 3), técnica ancestral cosmopolita, presente em muitas civilizações, e cuja origem se perde além da documentação histórica disponível.

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Figura 1. Edificação rural em “taipa-de-mão”, originalmente residencial, depois convertida em tulha de café. 1a metade do século XIX. Fazenda São Luís, Mococa, SP. Foto Celso do Lago Paiva, 26/5/1997.

A primeira exigência nessa técnica era de madeiras para a “gaiola” trabalhosa. Esta (Figura 2) era a estrutura composta por:

  1. “cunhais”, com no mínimo um “gêmio” ou um palmo de largura (0,18-0,22m), que ficavam no encontro vertical (vértice) de cada duas paredes das “casas” (cômodos) e no de cada vértice externo, e que delimitavam os “panos” das paredes;
  2. baldrames, peças horizontais, engastados nos cunhais, e que delimitavam o pano do piso, geralmente afastado alguns palmos do solo, em “sobrado”, garantindo ambiente interno ventilado, seco e fresco, com porão muitas vezes de utilidade;
  3. frechais, que uniam os topos dos cunhais, e se prolongavam nos vértices externos;
  4. vigas transversais, ensambladas nos os cunhais externos, com a tripla função de travar os cunhais, de escorar os telhados por tensores curtos e de fornecer sustentação às varas (“paus-a-pique”) das paredes internas;
  5. colunas externas e internas, ensambladas em cunhais, vigas e baldrames, nas quais se engastavam as vergas de portas e vergas e peitoris das janelas;
  6. “barrotes” (vigas) de sustentação do tabuado do sobrado, ensamblado nos baldrames e, nas edificações de dois andares, também nos frechais.

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Figura 2. “Gaiola” parcial em edificação rural residencial em taipa-de-mão. 1a metade do século XIX. Passos, MG. Foto Celso do Lago Paiva, 20/11/1997.

Engastados verticalmente em furos rasos, não-vazados, nas superfícies superiores dos baldrames e inferiores dos frechais, ficavam os “paus-a-pique” (Figura 3), varas de madeira dura, com sua casca; nos lados interno e externo da balaustrada dos “paus-a-pique” eram amarrados, com cipós finos e flexíveis, as varas ou fasquias espaçadas (“ripas”, Figura 3) de espiques (troncos) da palmeira “juçara” (ou “palmiteiro”) (Euterpe edulis), cujo sacrifício fornecia o meristema apical (“broto” ou “grelo”) conhecido como “palmito”, iguaria muito do agrado dos paulistas. As mesmas fasquias de “juçara” eram utilizadas no ripado dos telhados, para recebimento das telhas, mas então eram um pouco mais largas e grossas. O material do estipe dessa palmeira é extremamente resistente ao ataque dos insetos xilófagos (devoradores de madeira), quer besouros (Coleoptera), quer cupins (Isoptera), podendo durar séculos, se protegido da umidade propiciadora de fungos.

Os cipós para amarrio do ripado (Figura 3) utilizados eram, geralmente, da família Bignoniáceas (a mesma dos “ipês” e das “carobas”), por serem roliços, relativamente longos e finos, e muito resistentes, depois de secos, aos insetos minadores (“brocas”, “gorgulhos” e “cupins”). A espécie de cipó favorita para tal emprego parecia ser o “cipó-de-são-joão” (Pyrostegia venusta), muito conhecido por suas longas flores berrantes cor-de-abóbora; essa liana (planta trepadeira) ocorre de forma comum nas bordas e clareiras de matas e em cerrados e campos.

Note-se que as paredes, na técnica da “taipa-de-mão”, eram meras vedações, não suportando carga estrutural, que era recebida pela “gaiola” e transmitida integralmente ao solo pelos “nabos”. “Nabos” eram as extremidades inferiores dos cunhais, em forma globosa, não desbastada, ou pouco lavrada, que era chamuscada ao fogo, de forma que a superfície carbonizada não oferecesse interesse para cupins e outros insetos minadores vindos do solo e para fungos deterioradores da madeira. A forma globosa dos “nabos” aumentava a área horizontal dos cunhais, maximizando a eficiência estrutural.

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Figura 3. Detalhe de vedação externa (parede lateral) em edificação rural residencial em taipa-de-mão, com reboco desmoronado, com ripado de fasquias de “macaúba” (Acrocomia sp., Palmae) amarradas com cipós aos “paus-a-pique”. Século XIX. Fazenda São Luís, Mococa, SP. Foto Celso do Lago Paiva, 26/5/1997.

O ripado das paredes recebia então a terra úmida, que era jogada simultânea e vigorosamente de ambos os lados do pano da parede, aos punhados ou “sopapos”, de onde veio o nome alternativo e descritivo da técnica, “taipa-de-sopapo”. A superfície das paredes, alisada, era recoberta por camada fina de “reboco”, e depois pintada com mãos de argila clara (a “tabatinga”, onde existisse).

A terra para a edificação, tanto para a “taipa-de-mão” quanto para o reboco e a pintura, e para a “taipa-de-pilão” (a ser tratada no próximo artigo) deveria ser composta de alta porcentagem de argila rica em caulinita ou outras argilas do grupo 1:1, cuja característica útil é absorver pouca água, sem inchar, e, ao secar, se contrair pouco ou nada, e não gretar. A arte de escolher o bom barro, pesado, firme e que não gretasse, era fundamental para a civilização paulista, dependente das obras em terra. Até o piso das edificações era de “terra pilada”, tão duro que dificultava a obra destruidora dos “cupins”, e resistia ao trânsito humano e animal e ao calor dos fogões (os próprios fogões eram feitos de terra apiloada).

Por cima da “gaiola” (Figura 2) era apoiada e engastada a estrutura do telhado, toda em madeira de alta qualidade, de grosso calibre e muito pesada. Nas áreas rurais poderia ser instalada a “cachorrada” do beiral muito largo (para que os telhados afastassem as chuvas das paredes), composta de “cachorros” horizontais, apoiados sobre os frechais, e travados por âncoras e retrancas. Na cidade os cachorros com entalhes caprichosos, cobertos superiormente pelas tábuas do “guarda-pó”, davam à porção mais baixa do telhado belo “galbo” (inclinação final quase horizontal) achinesado. Edificações rurais mais simples geralmente dispensavam cachorrada. Paulistas eram construtores refinados e caprichosos, muito relutantes em abrir mão das técnicas construtivas tradicionais, complexas e trabalhosas, mas testadas e provadas como eficientes em seu ambiente chuvoso e dado a ventos fortes.

Os telhados poderiam receber cobertura provisória de capins (gramíneas, da família botânica Poáceas), geralmente de “barba-de-bode” (Aristida pallens, “capim-barba-de-bode”, nativo em áreas campestres e de cerrado na região da mata atlântica do Brasil extra-amazônico, em solos hiperácidos. Muito frequentemente esse capim aparece ao lado de outro capim com ecologia muito parecida: o “sapé”, Imperata brasiliensis, também exclusivo de solos férteis, ainda que ácidos, mas no caso deste, habitante de bordas de matas, clareiras ou áreas úmidas ligadas às matas. Ambas as gramíneas forneciam ramos enfolhados que eram reunidos em molhos e amarrados para formar a cobertura de edificações temporárias, ou que devessem ser cobertas antes que se pudesse providenciar telhas cerâmicas para a cobertura definitiva.

Em regiões de matas úmidas ou matas ciliares eram empregadas, para a cobertura temporárias os telhados, as folhas de espécies de palmeiras – Palmae – “guaricanga” ou “gamiovas” (espécies do gênero Geonoma) ou folhas de espécies de outros gêneros de palmeiras, como Attalea geraensis (“indaiá-do-campo”) e Bactris setosa (“tucum”) (a utilíssima palmeira “macaúba”, Acrocomia sp., chegaria à região campineira apenas no século XIX, vinda do centro do Estado de Minas Gerais, onde era nativa).

A técnica das edificações em “taipa-de-mão” (Figuras 1, 2 e 3) descrita sucintamente acima podia ser simplificada, em edificações emergenciais, restando, como elemento central, os “paus-a-pique, o ripado amarrado com cipó e o barro de sopapo, com redução significativa da sofisticação da “gaiola”. Uma vez consolidado o assentamento, no entanto, as edificações perenes maiores seguiam, via de regra, os ditames técnicos da “taipa-de-mão” e, nas propriedades melhor aquinhoadas com escravaria, da “taipa-de-pilão”, a técnica construtiva mais característica dos paulistas. Alvenaria de pedras era quase ignorada por paulistas serra-acima (mas corrente no litoral).

Todas as espécies vegetais nativas citadas neste artigo foram encontradas pelos colonizadores na região de Campinas, umas mais raras que outras, mesmo localmente, o que diversificava sua utilização em cada propriedade e dava azo à experimentação de novas espécies pelos colonos, para usos diversos.

Também a terra de qualidade para edificações e a argila para fatura da cerâmica (para utensílios diversos, como telhas, panelas, potes, frascos, bilhas, garrafas, funis, crivos de exaustão superior dos fornos de telhas) foram buscadas e encontradas por eles, com qualidade variável, bem como rochas úteis para obras várias.

Constata-se a importância crucial dos recursos naturais para a civilização paulista em implantação na nova frente de colonização na região campineira, que os disponibilizava em abundância, permitindo a implantação dos núcleos residenciais e de produção, nas mesmas bases culturais das regiões de origem dos colonos.

A uberdade natural da nova região, a excelência da meteorologia, da hidrologia, do clima e do relevo, a baixa incidência de doenças endêmicas e a ausência de indígenas bravios (que já haviam sido escorraçados pelos jundiaienses no século XVII) permitiu assentamentos em núcleos rurais (fazendas), inicialmente de subsistência, depois produtivos, e, enfim, a criação do núcleo urbano campineiro.

Campinas se tornaria logo um dos mais importantes polos agrícolas (açucareiro, depois cafeeiro) e políticos do país que surgiria quase um século depois, em 1822. Campinas teve sua gênese dois séculos depois do estabelecimento dos núcleos pioneiros de população no Brasil, em São Vicente, Santos e Cananéia, fulcros iniciais da civilização portuguesa em terras neotropicais.

Leitura adicional:

PAIVA, Celso do Lago. Construções rurais coloniais no quadrilátero do açúcar, Estado de São Paulo. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba 5(5):37-46, Piracicaba, SP, 1997. http://www.ihgp.org.br/wp-content/uploads/2014/09/Revista-do-IHGP-Vol.5.pdf.
PAIVA, Celso Lago. A tulha colonial da Fazenda São Luiz em Mococa. Camaleão Informativo Cultural 2(8):4, Mococa, SP, 1998. https://www.researchgate.net/publication/312901879_ A_tulha_colonial_da_Fazenda_Sao_Luiz_em_Mococa.
PAIVA, Celso Lago. Cupins e o patrimônio histórico edificado. P. 133-162, in: FONTES, Luiz Roberto; Berti Filho, Evôneo, Editores. Cupins: o desafio do conhecimento. Piracicaba, Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz – FEALQ, 1998. https://www.researchgate. net/publication/313883459_Cupins_e_o_patrimonio_historico_edificado.
LAGO-PAIVA, Celso. Taperas e suas plantas: etnobotânica dos antigos assentamentos humanos. Diálogos 10(3):33-55, Maringá, PR, 2006. https://www.researchgate.net/publication/269929784_ Taperas_e_suas_plantas_etnobotanica_dos_antigos_assentamentos_humanos_–_The_plants_of_the_abandoned_historical_human_settings.
PUPO, Celso Maria de Mello. Campinas, seu berço e sua juventude. Campinas: Academia Campinense de Letras, 1969. (Publicações, 20).

Agradecimentos: Dr. Márcio Lemos Soares Maia, Fazenda São Pedro, Passos; Matiza Rigobelo Lima, Fazenda São Luís, Mococa; e Centro de Memória – UNICAMP.

4 comentários

  1. Prezados,
    Texto maravilhoso abrangente!!
    Muito bem escrito me senti no século XVIII,
    Por um momento senti muita vontade lá estar.
    A ideia de cosmopolita me fez questionar …
    Que riquezas de misturas também de costumes e cultura.
    Parabéns para essa iniciativa.
    E muito obrigada ao engenheiro que com muita clareza e capacidade nos dá a oportunidade de fazer essa viagem sem sair do lugar!
    Com um banho de informação.
    Grata,
    Estela

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  2. Obrigado, prezada Maria Estela! Meu objetivo foi mesmo colocar o leitor em pleno século XVIII, de forma que percebesse, como um dos colonos, o ambiente da colonização inicial de Campinas.
    Agradeço suas palavras gentis.
    O autor
    Celso
    .

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  3. B tarde, esse engenheiro é um gigante de alma e conhecimento. Em varias áreas, um homem que muitos seguem com uma enciclopédia.
    Orgulho me de ter conhecido!!
    Seu trabalho faz eco em varias seguimentos faculdades e colégios.
    Uma sombra onde não queremos mais sair.
    Parabéns engenheiro por sua performance em varias multiplicidades.
    Um homem do que deixa rastro pro futuro.
    O meu abraço respeitoso e com gratidão.
    Tenho acompanhado seu trabalho q muito me orgulho.
    Estela.

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