Todas as notas: comentários para os programas da Orquestra Sinfônica de Campinas (2003-2016)

All Notes: Campinas Symphony Orchestra programs (2003-2016).

Lenita Waldige Mendes Nogueira – professora, diretora do Museu Carlos Gomes, do Centro de Ciências, Letras e Artes.

Fundada em 1929 como Sociedade Sinfônica Campineira, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) é uma das únicas orquestras brasileiras de grande porte com atuação contínua por quase 90 anos. Tive a oportunidade de contribuir com essa trajetória durante os anos de 2003 a 2016 (com exceção de 2005), elaborando notas de programa para seus concertos oficiais, realizados, em um primeiro momento, no Teatro do Centro de Convivência Cultural, posteriormente no Teatro Castro Mendes.

Durante este período escrevi aproximadamente 450 textos sobre composições de 182 compositores e a apresentação deste material, ora reunido em livro, reflete não somente o meu trabalho como anotadora, mas também a intensa atividade da orquestra durante este período.

Analisando o conjunto destas notas, destaca-se uma programação bastante abrangente, que vai desde peças e compositores tradicionais do repertório sinfônico até a música contemporânea, em especial a brasileira, pouco usual nas salas de concerto. Neste período houve diversas primeiras audições, inclusive de peças escritas especialmente para a OSMC.

Para escrever notas de programas que são distribuídas ao público nos dias de concerto e divulgadas na página de Internet da OSMC, é necessário adaptar as informações ao espaço a elas reservado nos programas impressos. A extensão das notas fica condicionada ao concerto no qual se insere, caso haja uma peça com diversos solistas ou várias composições, o espaço reservado fica mais restrito.

Os comentários aqui reunidos foram elaborados ao longo de 13 anos e por isso muitas informações se repetem em verbetes sobre um mesmo compositor, pois, se aqui seus nomes e obras estão organizados sequencialmente, os concertos foram apresentados, em sua maioria, com anos de distância. O leitor, ao se deparar com informações reiteradas em verbetes diferentes, ou com uma peça significativa do repertório sinfônico com um comentário menos extenso, deve levar em consideração estas condições.

A publicação do volume se tornou possível graças aos recursos recebidos através do Edital 2016 do Fundo de Incentivo à Cultura de Campinas (FICC), da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas, à qual agradeço, e parabenizo pela manutenção de tão importante ação no sentido de promover a cultura no município.

Espero que o livro, além de refletir minha atuação como colaboradora de longa data com a OSMC, seja relevante também por disponibilizar ao público uma extensa gama de informações sobre música, músicos, personagens e eventos significativos. O objetivo sempre foi a elaboração de textos apoiados em fontes confiáveis, porém redigidos de forma acessível ao público heterogêneo que frequenta os concertos da orquestra, sejam aqueles que desfrutam da música como parte integrante de suas vidas, ou que desejam apreciar melhor esta admirável manifestação do espírito humano, sem a qual, segundo Nietzsche, a vida seria um erro.

A Orquestra Sinfônica de Campinas teve sua origem no dia seis de outubro de 1929, quando foi criada a Sociedade Sinfônica Campineira. Durante a cerimonia de fundação ficou estabelecido que a meta era constituir-se pelo prestígio de seus membros, pelo estudo de todos os assuntos musicais, pelo auxílio mútuo, e cooperar ativamente para o engrandecimento da classe musical sem cor política. Houve aprovação do estatuto e eleição da diretoria, sendo designados Salvador Bove como regente e Jorge Whiteman como presidente.

O grupo apresentou-se pela primeira vez no dia 15 de novembro de 1929 no Teatro São Carlos, em Campinas. O primeiro som emitido pela orquestra foi o Hino Nacional Brasileiro e na sequência foram apresentadas peças de Carlos Gomes, Richard Wagner, Anton Rubinstein, Mascagni e Carl Maria von Weber. Na ocasião a orquestra contava 51 componentes.

Desde a sua fundação a Sociedade Sinfônica Campineira manteve uma atuação contínua, até que em 1965 a Câmara Municipal aprovou a criação da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, o que só veio a se concretizar de fato em 1974. Assim, a antiga orquestra passou a ser mantida pela Prefeitura de Campinas, configurando-se como um dos mais antigos conjuntos orquestrais de grande porte em atividade contínua no Brasil.

Referência bibliográfica:

NOGUEIRA, Lenita Waldige Mendes. (2018). Todas as Notas: comentários para os programas da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (2003 – 2016). Campinas: Pontes. 509p.

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