Paulo Freire: o Patrono da Educação no Brasil

Paulo Freire: The Brazil Education Patron.

Maria Eugênia Castanho – professora de Educação, pesquisadora. Titular da Cadeira 36 do IHGG Campinas.

Paulo Reglus Neves Freire, mais conhecido como Paulo Freire, é considerado um dos pensadores mais notáveis da Pedagogia mundial, sendo o brasileiro mais homenageado da história: 29 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América. Recebeu diversas homenagens como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz, em 1986. Sempre foi uma pessoa absolutamente aberta ao diálogo e com posição profundamente humana sendo aceito e admirado mesmo por intelectuais de outras opções e caminhos teóricos na área da educação.

Encontrei-o em meu percurso na área da educação. Ele reforçou e iluminou minha convicção de se adotar uma postura de respeito profundo a cada ser humano com quem eu tinha o privilégio de interagir e de uma luta por uma sociedade realmente democrática.

Em 2008, na criação do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, tomei posse como membro indicando como patrono o nome de Paulo (Reglus Neves) Freire. Em meu trabalho pedagógico com os mais variados públicos (alunos de graduação, de pós-graduação e professores do ensino superior) nunca deixei de usar seus princípios. Especialmente importante para mim é o texto que ele escreveu em 1968 no Chile: Considerações em torno do ato de estudar, que está no livro Ação cultural para a liberdade (Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982). As consequências riquíssimas, obtidas nos depoimentos dos grupos com os quais trabalhei tal texto, são inesquecíveis.

Trabalhei muito com dinâmica de grupo, usada como meio e não como fim. A apropriação das ideias de Paulo Freire não esteve livre de distorções. Conheci uma professora do ensino superior que se proclamava freireana, com todas as letras. E acontecia algo incrível: os alunos reclamavam do excesso de autoritarismo dela, de relações muito pouco cordiais, de avaliações estressantes, enfim o oposto de tudo o que Paulo Freire aconselhava, vivia e sempre escreveu em seus inúmeros livros. Para quem entendeu Paulo Freire, sempre esteve claro que apenas usar estratégias diferentes para animar a aula não era o caminho, uma vez que depois de passado o efeito surpresa tudo voltaria à apatia anterior. O objetivo: provocar reflexões, desenvolver processos mentais, promover o crescimento tanto discente quanto docente. Despertar a vontade política de melhorar a sociedade, sem ingenuidade, preparando-se com competência.

Freire nunca entendeu a educação como politicamente neutra, explicitando os conteúdos políticos inerentes ao processo educativo, embora não tenha aderido ao marxismo ou tenha incorporado em sua visão teórica de análise da questão pedagógica a perspectiva do marxismo.

Algumas de suas asserções: Ninguém sabe tudo, assim como ninguém ignora tudo. O saber começa com a consciência do saber pouco. É sabendo que sabe pouco que uma pessoa prepara-se para saber mais.

O diálogo é uma espécie de postura necessária, na medida em que os seres humanos se transformam cada vez mais em seres criticamente comunicativos. O diálogo é o momento em que os seres humanos se encontram para refletir sobre a sua realidade tal como a fazem e a refazem.

Os textos de Paulo Freire serviram e servem para trabalhar em perspectiva generosa em relação ao ser humano e à sociedade. Ele lutou para que os avanços pedagógicos dos movimentos progressistas alcançassem a educação dos trabalhadores.

Publicado no Correio Popular em junho de 2019.

 

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