Tecnologia da Informação: da Válvula ao Microprocessador

Information Technology: from Valve to Microprocessor.

Por Irenilza de Alencar Nääs – professora da Unicamp, Unip e Florida University (EUA). Titular da Cadeira  24 do IHGG Campinas.

Há quem defenda que a máquina de imprensa desenvolvida por Gutenberg foi a primeira ideia de computador, afinal, a palavra inglesa computer se traduz por aquele que registra em larga escala, como Gutenberg fez com os livros.

Mas, antes da máquina ou do equipamento, vieram os princípios e teorias. Em 1591 François Viete começou a representar as equações matemáticas, utilizando letras do alfabeto; em 1614, John Napier publicou a primeira tábua de logaritmos; enquanto, na mesma época, Pierre de Fermat e Blaise Pascal desenvolveram estudos sobre o cálculo de probabilidade. Nada dessas teorias teriam aplicação em larga escala, com o uso da Tecnologia de Informação que se conhece hoje, sem a eletricidade.

Várias foram as maneiras que o homem encontrou para aumentar sua capacidade de fazer cálculos, cada vez maiores e mais precisos. Em 1622 o matemático William Oughtred desenvolveu a primeira régua de cálculo e, 20 anos depois, Blaise Pascal criou a primeira calculadora, inspirado nos ábacos chineses. A base teórica do magnetismo, desenvolvida a partir das equações de James Maxwell, que descrevem como os campos elétricos e magnéticos se relacionam em função do tempo e da posição no espaço, foi usada por Hans Oersted em 1820, para determinar circuitos, e serviu de base para o desenvolvimento do rádio, das microondas e dos raios ultravioletas, do raio-X e dos raios gama. Em 1822, Charles Babbage projetou um computador mecânico sem nunca conseguir materializá-lo.

Somente em 1847 foi criado o sistema binário pelo matemático George Boole, que permitiu a Herman Hollerith, em 1880, criar um processador de dados eletromecânico. O sistema usava cartões perfurados para inserir dados.

O início das telecomunicações se deu com aprofundamento dos conhecimentos sobre a radiação eletromagnética, que é uma combinação de um campo elétrico e outro magnético, que se propagam através do espaço transportando energia. Quando a radiação eletromagnética atravessa um condutor elétrico induz uma corrente elétrica no condutor, o que gera a emissão e a recepção, por exemplo, por antenas, que reconhecem aquele sinal específico. A invenção da bateria voltaica no final do século XVIII, seguido pelo telégrafo, pelo código Morse, que utilizava uma linguagem de pontos e traços e, finalmente, o surgimento de telefones e rádios, permitiu o avanço das comunicações. A grande inovação do conhecimento se deu quando houve a descoberta de que os impulsos elétricos, através da radiação eletromagnética, podiam transmitir informação e conhecimento.

É curioso que Leonardo Da Vinci, com as suas intuições antecipadoras, considerou a arte e a ciência como tendo a mesma finalidade: o conhecimento da natureza. Por volta de 1510, ele escreveria em seus cadernos: A natureza está escrita em caracteres matemáticos.

Seus cadernos eram recheados de desenhos e símbolos e observações que iam da acústica ao zodíaco. Ele acreditava ser a matemática a mais pura de todas as ciências, pois revelava todas as leis e necessidades da natureza. Estudando razões e proporções, o gênio se revelou um exímio matemático e inventor, tendo utilizado a razão áurea em quase toda sua obra. E é essa afinidade com a matemática que leva Leonardo a se interessar pela mecânica e a estabelecer os seus princípios, chegando a formular a Lei da Inércia, o Princípio da Reciprocidade da Ação e Reação, o Teorema do Paralelo grama das Forças, o da Velocidade e outros conceitos fundamentais da mecânica, que deviam encontrar em Galileu a sua forma definitiva. Da Vinci se encontra com a Tecnologia da Informação quando prognóstica que: Homens falarão a outros de longínquos países e obterão respostas.

Mais rapidamente que no século XIX, a ciência começou a avançar durante o século XX. Não foram apenas as descobertas científicas que se aceleram. Os equipamentos tornaram-se cada mais vez mais acurados e sofisticados, obtendo-se resultados mais precisos e com grande velocidade. Uma vasta quantidade de novas descobertas detalhadas conduziu a alguns conceitos complexos e especializados sobre o mundo.

Hoje, em torno da Terra, orbitam satélites artificiais, transmitindo informações continuamente. Atualmente estão em órbita, para além dos satélites do sistema GPS/ satélites de comunicações, satélites científicos, satélites militares, além de uma grande quantidade de lixo espacial, ou seja, material que ficou obsoleto desde que lançado à atmosfera. Os satélites de comunicações são aqueles que retransmitem sinais entre pontos distantes da Terra, como, por exemplo, sinais de televisão, rádio ou mesmo telefone; enquanto os satélites científicos são utilizados para observar a Terra ou o espaço ou ainda estudar os fenômenos climáticos, os recursos naturais e fenômenos naturais. Esses objetos, em órbita aproximadamente circular em torno da Terra, funcionam como espelhos, retransmitindo ondas que carregam os sinais emitidos de algum lugar, que são captados por antenas em vários locais.

A evolução da Tecnologia da Informação passou pelo desenvolvimento de válvulas. Em 1930, nos Estados Unidos, Vannevar Bush desenvolveu um computador usando válvulas de rádio que, inclusive, originou o termo bug, pois cada vez que qualquer inseto se encostava à válvula prejudicava o funcionamento do equipamento. Em 1946, John Mauchly e John Eckart Jr. desenvolvem o Eniac, o primeiro computador eletrônico. O Eniac foi desenvolvido para servir aos interesses bélicos dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Serviu para fazer os cálculos no desenvolvimento da bomba atômica, no Projeto Manhattan. Foi em 1954 que a empresa eletrônica Texas Instruments fabricou o primeiro transistor usando silício. Em 1956 surgiu, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o primeiro computador que utilizava transistores, que aumentavam a velocidade de processamento.

Os computadores dos anos 1970 mudaram a forma de cálculo e de processamento de dados, transformando-os em informação e, hoje, influenciam até a arte. Com o advento da rede global de comunicação Internet, desenvolvida para fins militares e, recentemente, democraticamente disponível ao grande público, transformou o acesso à informação quase instantâneo, e as decisões em tempo real.

A transmissão de sinais, as ligações das comunicações e a linguagem de processamento de dados mudaram radicalmente o conceito da Tecnologia de Informação dos anos 1970 até os dias de hoje. Um dos grandes responsáveis por essa mudança foi o programa computacional desenvolvido por Bill Gates, que permitia o trabalho simultâneo em várias janelas na mesma tela, otimizando o recurso visual. O programa foi denominado de Windows 3. Com o desenvolvimento da nanotecnologia e de microprocessadores, da arquitetura e dos periféricos, os computadores permitem cada vez maior velocidade de operações e maiores possibilidades de maximização das invenções e inovações.

Quando bem utilizada, a Tecnologia da Informação permite a rápida disseminação do conhecimento, treinamento e formação a distância, de maneira que hoje a inclusão digital chega a ser uma necessidade de os homens se comunicarem e se atualizarem, além de decidirem em tempo real.

Sempre existirão as vozes íntegras e curiosas dos inventores e visionários, dos descobridores, dos filósofos, que se espalharão cada vez mais rapidamente nos cabos da Internet. Deve-se estar pronto a escutá-los e selecionar, como recomenda a Bíblia, o joio do trigo.

Referências bibliográficas:

BELL, G. Encore Computer Corporation. Computer, 1984, p. 14.
LAUDON, K. C.; TRAVER, C. G. e LAUDON, J. P. Information Technology and Systems. Cambridge, MA: Course Technology, 1996.
PRIMON, A. L. M.; SIQUEIRA JR., L. G.; ADAM, S. M. e BONFIM, T. E. “História da ciência: da Idade Média à atualidade”, Psicólogo Informação, vol. 4, n.4, jan./ dez., 2000, p. 35-51.

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