O Instituto Agronômico de Campinas (IAC)

The Agronomic Institute of Campinas, SP, Brazil.

Por Rúter Hiroce – agrônomo, pesquisador doutor do IAC. Sócio honorário do IHGG Campinas

A ideia de se fundar um instituto de pesquisas de agricultura surgiu da necessidade de se resolver os problemas principalmente da cultura cafeeira que participava com cerca de 60% das exportações brasileiras.

Com o nome de Estação Agronômica de Campinas foi criado o atual Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em setembro de 1885, pelo ministro da Agricultura, conselheiro Antônio da Silva Prado. Em 1886, o imperador D. Pedro II deu autorização para auxílio às escolas práticas de agricultura e fundação de uma Estação Agronômica na Lei nº 3314, de 16 de outubro que fixou a Despesa Geral do Império. Entretanto, somente a 27 de junho de 1887 foi efetivada a sua fundação, pelo ministro da Agricultura Rodrigo Augusto da Silva, que escolheu o seu primeiro Diretor Geral, o cientista austríaco Dr. Franz Wilhem Dafert.

Em 1892, com a demanda para solucionar problemas de várias áreas da agricultura, diversos pesquisadores foram contratados para as áreas de: Química Agrícola, Agricultura, Horticultura, Viticultura, Química Analítica, História Natural, Higiene, Indústria, Meteorologia e Economia Rural.

Posteriormente, novas seções foram criadas e, em 2002, existiam as seções técnicas de: Algodão, Arroz e Cereais de Inverno, Biblioteca, Botânica Econômica, Café, Cana-de-açúcar, Citologia, Citricultura, Climatologia Agrícola, Conservação do Solo, Entomologia Fitotécnica, Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, Fisiologia, Fitopatologia, Fitoquímica, Floricultura e Plantas Ornamentais, Fotointerpretação, Fruticultura de Clima Temperado, Fruticultura Tropical, Genética, Hortaliças Diversas e Hortaliças de Frutos, Irrigação e Drenagem, Leguminosas, Microbiologia do Solo, Milho e Cereais Diversos, Neomatologia Fitotécnica, Oleaginosas, Pedologia, Plantas Aromáticas e Fumo, Plantas Fibrosas, Plantas Tropicais, Programa de Seringueira, Raízes e Tubérculos, Sementes, Tecnologia de Fibras, Técnica Experimental e Cálculo, Virologia e Viticultura.
Além dessas seções técnicas, na Divisão de Engenharia Agrícola, existiam os setores de Patrulha Mecanizada e de Energia e as seções de Máquina de Colheita e Processamento de Produtos Agrícolas; de Máquinas de Implantação de Culturas e Aplicadores de Defensivos; de Máquinas de Tração e de Potência e de Projetos e Materiais.

O IAC contava, ainda, com 21 Estações Experimentais espalhadas no estado de São Paulo dirigidas principalmente para as pesquisas regionais: Campinas, Adamantina, Assis, Capão Bonito, Guaíra, ltararé, Jaú, Jundiaí, Limeira, Mococa, Monte Alegre do Sul, Pariqueraçu, Pindamonhangaba, Pindorama, Piracicaba, Ribeirão Preto, São Roque, Tatuí, Tietê, Ubatuba, Votuporanga.

Pelo Decreto nº 46.488, de 8 de janeiro de 2002, o IAC, junto com o Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos e Instituto de Zootecnia passaram a fazer parte da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

As Estações Experimentais pertencentes aos seis Institutos incorporados à APTA, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, foram agrupadas por regiões: Noroeste Paulista, em Votuporanga; Extremo Oeste, em Andradina; Alta Paulista, em Adamantina; Alta Sorocabana, em Presidente Prudente; 5. Médio Paranapanema, em Assis; Sudoeste Paulista, em Capão Bonito; Vale do Ribeira, em Registro; Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba; Leste Paulista, em Monte Alegre do Sul; Nordeste Paulista, em Mococa; Alta Mogiana, em Colina; Centro Norte, em Pindorama; Centro Leste, em Ribeirão Preto; Centro Oeste, em Bauru; Centro Sul, em Piracicaba.

I. São objetivos e atribuições do IAC:
a. Pesquisas com plantas, solo e clima, visando à demanda e à evolução da agricultura;
b. Obtenção de novos cultivares de plantas com maior produtividade e qualidade, adaptados ao meio ambiente;
c. Desenvolvimento de plantas com resistência às pragas e doenças, visando à maior racionalização no uso de defensivos e preservação de interesse econômico do meio ambiente;
d. Geração de tecnologia para o cultivo de centenas de produtos agrícolas de interesse econômico;
e. Produção de material genético e básico, análises de solos, plantas e produtos, visando ao atendimento do agricultor e da agroindústria;
f. Desenvolvimento de protótipos, bem como testes de máquinas agrícolas, visando à diminuição do custo de produção e adequada utilização;
g. Levantamento semidetalhado do solo, obtenção e fornecimento de dados climáticos para fins de zoneamento agrícola, monitoramento de operações de campo e prognóstico de produção.

II. Plantas pesquisadas e em estudo (em 2008):
1. Especiarias, aromáticas e medicinais: baunilha, camomila, canela, capim-limão ou erva-cidreira, cardamomo, citronela-de-java, confrei, cravo-da-índia, curcuma, digitális, erva-doce ou funcho, estévia, eucalipto, gengibre, menta ou hortelã, palma-rosa, pimenta-do-reino, píretro, urucum, vetiver;
2. Cereais: arroz, aveia, centeio, cevada, milho, milho-doce, milho-pipoca, sorgo-forrageiro ou misto, sorgo-granífero, sorgo-vassoura, trigo irrigado, trigo de sequeiro, triticale;
3. Estimulantes: cacau, café, chá, fumo de corda, fumo de estufa e de galpão, guaraná;
4. Fibrosas: algodão, bambu, crotalaria, juta, linho, linho têxtil, quenafe, rami, sisal;
5. Frutíferas: abacate, abacaxi, acerola, ameixa, amora-preta, anona (ata, fruta-do-conde, pinha), banana, caju, caqui, citro (laranja, lima-ácida, limão, pomelo, tangerina e tangor), coco, damasco japonês, figo, framboesa, goiaba, kiwi, lichia, maçã, macadâmia, mamão, manga, maracujá, marmelo, nectarina, nêspera, pecã (noz-pecã), pêra, pêssego, uva;
6. Hortaliças: abóbora e moranga, abobrinha, aipo (salsão), alcachofra, alface, alho,
alho-porró, almeirão, aspargo, berinjela, beterraba, brócolos, bucha, cebola, cebolinha, cenoura, chicória (escarola), chuchu, couve, couve-flor-de-inverno, couve-flor-de-verão, ervilha-de-vagem, feijão-de-lima, feijão-fava ou fava-italiana, feijão-vagem, jiló, maxixe, melancia, melão, morango, nabo, pepino, pimenta-hortícola, pimentão, quiabo, rabanete, repolho, rúcula, salsa, tomate;
7. Industriais: cana-de-açúcar, palmito-açaí, palmito-gariroba, palmito-inajá e indaiá,
palmito-jerivá, palmito-juçara, palmito-pupunha, seringueira;
8. Leguminosas: chícharo, crotalária, ervilha-de-grãos, feijão, feijão-adzuki, feijão-de-
porco, feijão-mungo, grão-de-bico, guandu, guar, labelabe, leguminosas perenes (calapogônio, centrossema, cudzu-comum, cudzu-tropical, galáxia, siratro, soja perene), lentilha, mucuna-anã, mucuna-preta, soja, tremoço;
9. Oleaginosas: amendoim, gergelim, girassol, mamona;
10. Ornamentais: amarílis, antúrio, crisântemo, gladíolo, gloxínia, gipsófila, rosa, violeta-africana;
11. Raízes e tubérculos: araruta, batata, batata-doce, cará, inhame, jacatupé, mandioca (aipim), mandioquinha (batata-baroa, batata-salsa), mangarito.

III. Contribuições:
Ao longo de 120 anos de vida, foram desenvolvidas quase 800 novas variedades de várias espécies, mais resistentes a doenças, mais produtivas e de melhor qualidade. Atualmente esse número é ainda maior.
É difícil limitar a importância do IAC a alguns exemplos de suas criações. Entretanto alguns feitos podem ser destacados: na década de 1930 com a crise do café, o IAC estava apto para oferecer alternativas aos agricultores na tecnologia do cultivo do algodão, graças aos trabalhos realizados pelo pesquisador Cruz Martins. Nessa época, o IAC também foi responsável pela produção de sementes de milho híbrido em São Paulo, segunda região do mundo a utilizá-lo, após os EUA. Na década de 1940, a citricultura paulista, vítima da doença tristeza, foi salva graças aos estudos em porta-enxertos realizados pelo pesquisador Sylvio Moreira. Na década de 1970, a vinda da doença ferrugem do cafeeiro não pegou o IAC desprevenido, uma vez que o pesquisador Aleides Carvalho já estava estudando variedades resistentes a essa doença, antevendo a sua chegada a qualquer momento.
Mais recentemente podem ser destacados a produção de arroz preto, mais nutritivo; o abacaxi gomo-de-mel, que se destaca por dispensar a descasca; o óleo linalol, extraído do manjericão, usado na fabricação de perfume; o café descafeinado; o feijão-carioca etc.
Outra tecnologia do IAC é o Infoseca, sistema de captação e transferência de informações sobre a seca que permite antecipar os riscos de estresse hídrico para agricultura.

IV. Programa de pós-graduação:
O curso de pós-graduação foi criado em 1999 com três áreas de concentração em nível de mestrado: Gestão de Recursos Agroambientais; Melhoramento Genético e Vegetal; e Tecnologia de Produção Agrícola. Mais de 150 teses já foram defendidas pelos alunos desse curso.
A criação desse curso trouxe ao IAC a renovação da pesquisa institucional. Outro grande benefício foi a modernização de sua biblioteca, considerada a mais completa em sua área na América Latina, com mais de 280 mil documentos, 33 mil títulos de livros, 82 mil boletins e 3 mil títulos de periódicos. O IAC possui a revista científica Bragantia, em que são publicados os resultados de pesquisas.

Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Imagem do prédio do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). http://www.iac.sp.gov.br/areadoinstituto/instituto/

V. Tombamento:
Em 25 de novembro de 2004, a área da sede do IAC foi tombada pelo CONDEPACC (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas). O tombamento representa a certeza de que esse patrimônio, que faz parte da história da agricultura paulista, será mantido como referência para futuras gerações e, assim, continuar contribuindo para sua missão de gerar e transferir ciência e tecnologia para o agronegócio.

Referências
Instituto Agronômico de Campinas. http://www.iac.sp.gov.br/
JORGE, J. A., GERMEK, E. B., CAMARGO, A. P., BOOK, O. J., CONAGIN, A. Memória do Instituto Agronômico. Campinas: Instituto Agronômico, 1993.
INSTITUTO de Pesquisa do Estado de São Paulo. São Paulo: Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, 1991.
INSTITUTO Agronômico. Instruções Agrícolas para as Principais Culturas Econômicas, 63ª ed. Campinas: Instituto Agronômico, 1998.

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