O Brasão de Campinas

The Campinas Coat of Arms.

Maria Conceição Arruda Toledo – historiadora, (in memoriam). Sócia fundadora do IHGG Campinas

Campinas, no passado republicano, foi a primeira cidade brasileira a possuir seu brasão, por proposta à Câmara Municipal do então vereador Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, aprovada a 30 de dezembro de 1889, embora sua história permanecesse ignorada até 1936, quando a Revista do Arquivo Municipal de São Paulo publicou a monografia A pedra d’ Armas de Campinas, ensaio crítico-histórico de autoria de Aristides Monteiro de Carvalho e Silva, ilustrado por Roberto Thut.

O Almanaque Histórico e Estatístico de Campinas de 1912 traz um esboço descritivo do emblema, feito por Benedito Otávio, em que há este tópico: Como diz o lema de seu brasão, que é uma fênix de ouro em campo azul. Leopoldo Amaral, secretário ad hoc da Câmara de Vereadores na ocasião de sua instituição, descreveu-o em seu livro Campinas – Recordação, de 1927, relatando as dificuldades do Dr. Ricardo Daunt e as manobras realizadas para obter-se a aprovação do projeto, no final de 1889.

Outras divulgações se referiram ao Brasão de Campinas, incorrendo, porém, em enganos, propiciando confusões: uma fênix de prata […], quando a gravura que a ilustra é de ouro sobre imortalidade vermelha (Clóvis Ribeiro, Brasões e bandeiras do Brasil, 1937).

Esclarecimentos, transcritos de cartas, documentos, publicações etc., constam de uma alentada obra: Insígnias de Campinas e sua história, de autoria do mesmo Aristides Monteiro, in memoriam de Roberto Thut, coautor da reforma e modernização do brasão, conservando-lhe, porém, a simbologia original, em 1937, que vigorou até 1973, intempestivamente alterado pela Lei nº 4.335, de 6 de novembro de 1973, assinada pelo então prefeito Lauro Péricles Gonçalves.

Quando da alteração em 1937, por Aristides Monteiro e Roberto Thut, após demoradas e pacientes consultas, ouvida a Comissão de Educação por solicitação da Comissão de Justiça da Câmara Municipal, foi admitido por aquela o parecer favorável, no qual declarava haver os autores tornado correto, digno, irrepreensível e belo o brasão de Campinas, fazendo jus à admiração e gratidão de seus patrícios. Assinavam-na: J. Penido Burnier, Cunha Campos e Joaquim de Castro Tibiriçá.

Os jornais O Estado de S. Paulo e Jornal do Commercio do Rio de Janeiro deram grande destaque ao fato.

Só no projeto de 1937 as armas foram blasonadas com terminologia própria, usando-se na designação dos esmaltes os antigos nomes especiais da heráldica clássica. Entretanto, como hoje esses vocábulos estão caindo em desuso, a descrição foi renovada com os termos comuns. Por exemplo: substituíram-se blau, por azul, e gole, por vermelho, assim como outros termos de difícil entendimento para o leigo.

A Fênix – símbolo do reerguimento do município após as epidemias de febre amarela – renascente da sua imortalidade (uma fogueira), apresentava-se de frente, com a cabeça de perfil e as asas estendidas.

Em 1977, quando recebi um volume da extensa obra de Aristides Monteiro sobre os símbolos de Campinas (brasão, selo e bandeira), distribuí exemplares deste para uma dezena de vereadores que compunham o Legislativo campineiro e ao próprio prefeito Francisco Amaral (em sua primeira gestão), solicitando-lhe a revisão e a reconsideração da lei que, intempestivamente, alterara o irrepreensível brasão da cidade, aleatoriamente, sem estudos ou consultas prévias.

Publiquei no Diário do Povo uma série de 11 artigos esclarecedores sobre o assunto, sem que ninguém deles tomasse conhecimento. O de nº 7, datado de dezembro de 1977, trazia, inclusive, a sua descrição completa, bem detalhada, toda sua simbologia constante na Resolução nº 1.001, de 25 de setembro de 1937, revigorada pelo Decreto-Lei nº 366, de 9 de junho de 1947, que declarava expressamente: a modificação feita por Aristides Monteiro e Roberto Thut fora efetuada na forma do livro ‘A pedra d’armas de Campinas’, que fica fazendo parte integrante desta Resolução.

O assunto é vasto e complexo. Merece, entretanto, um reestudo, pois Campinas foi a primeira a ter seu brasão após a República, não podendo permitir imperfeições e enganos, motivados por opiniões não especializadas em heráldica.

Referências
PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS. Secretaria Municipal de Administração. Departamento de Auditoria. Cartilha de Símbolos de Campinas. Campinas: 2008. Disponível em: http://campinas.sp.gov.br/sa/impressos/adm/FO757.pdf. Acesso em: 14 de julho de 2017. 48p.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s