O Dia das Mães

The Mother’s Day Tribute.

Por Maria Eugênia Lima Montes Castanho – educadora, professora. Titular da Cadeira  36 do IHGG Campinas.

Antes de sermos pais e mães, somos seres humanos, passíveis de falhas e erros. Então, a única coisa que podemos aconselhar aos nossos filhos, através de experiência já vivenciada, é como não repetirem os nossos erros.

Todos nós refletimos sobre essas ideias e pensamentos quando chega o Dia das Mães. Sobre esse dia existem comemorações no Brasil e no mundo.

Como estamos num Instituto Histórico cabe perguntar: qual a história dessa comemoração?

A mais antiga é mitológica. Na Grécia Antiga a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses. Diz a Enciclopédia Britânica que se tratava de festividade vinda do costume de adorar a mãe, na antiga Grécia.

Na Inglaterra, durante o século XVII, a data era celebrada no 4º Domingo de Quaresma, um dia chamado Domingo da Mãe, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo das Mães, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

Na verdade, à medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou-se a homenagear a Igreja Mãe – a força espiritual que dava vida e protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo das Mães.

Em 1858 uma data para celebrar as mães foi dada pela ativista norte-americana Ann Maria Reeves Jarvis que fundou os Mothers Days Works Clubs com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Jarvis organizou alguns anos depois (1865) o Mother’s Friendship Days (dias de amizade para as mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período.

Anna Jarvis, filha de Ann Maria, moradora no Estado de Virgínia do Oeste, crente fervorosa, professora da Escola Bíblica Dominical da Igreja Metodista de Grafton, Filadélfia, é reconhecida como idealizadora do Dia das Mães na sua forma atual. Em 12 de maio de 1907, dois anos após a morte de sua mãe, criou um memorial a ela e iniciou uma campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Anna nunca teve filhos, mas a morte de sua mãe, em 1905, a inspirou a organizar Dias das Mães em homenagem a elas.

Ela obteve sucesso tendo sido aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos o 2º domingo do mês de maio como Dia das Mães, que foi celebrado pela primeira vez em 9 de maio de 1914.

Anna Jarvis queria que a comemoração fosse algo estendido a todas as mães vivas ou mortas, uma data em que todos homenageassem suas mães. Com o tempo, porém, a data perdeu o sentido original e se tornou um dia lucrativo para os comerciantes. Em 1923 Anna respondeu a um repórter: Não criei o dia das mães para ter lucro, e imediatamente deu início a um processo pedindo o cancelamento do Dia das Mães. Como é sabido, não logrou êxito nesse intento. Dessa forma, a data se difundiu pelo mundo todo como mais uma ocasião explorada pelo consumismo. Anna morreu aos 84 anos em 1948 num asilo.

No Brasil, em 6 de maio de 1932, Getúlio Vargas, Presidente da República, atendendo a um pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no 2º domingo de maio. A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano.

As mães: categorias singulares de mulheres. Múltiplas.

Cada um de nós tem uma história vivida com a mãe desde seu nascimento, certamente com recordações específicas que repercutiram na formação e no sentido dado à vida.

O brilhante escritor e psiquiatra Irvin D. Yalom, autor de mais de uma dúzia de livros e dúzias de traduções estrangeiras importantes incluindo Quando Nietzsche chorou (transformado em filme de grande sucesso internacional) escreveu um texto intitulado Mamãe e o sentido da vida. Desvenda ali, utilizando sua experiência psiquiátrica de muitas décadas, questões sobre o porquê de uma relação extremamente difícil que viveu com a própria mãe.

Refere-se a amigos que tiveram mães amáveis e apoiadoras e que na idade adulta desgarram-se, não ficando amarrados a elas, desenvolveram independência e segurança pessoais. Já ele, Yalom, avalia situações na remota infância em que sua mãe desconcertou-o na frente de outros meninos, aponta outras situações desagradáveis vivendo com ela um clima de inimizade ininterrupta. No entanto, sua mãe, analfabeta e cheia de defeitos, vem a sua memória várias vezes por dia, agarra-se a ela, mesmo já falecida há dez anos. Deu palestras sobre isso.

Explica aos pacientes que os filhos de famílias disfuncionais têm dificuldade de desvencilhar-se de referidas famílias. Filhos de pais bondosos e amorosos desligam-se com muito menos conflito. Yalom fala do sentido da vida. O sentido da vida de cada um de nós. Somos criaturas que buscam sentido. As soluções encontradas pelas pessoas são de vários tipos, mostram diversos caminhos.

Algumas pessoas são instigadas pela vida afora por uma visão de triunfo negativo; outras sonham apenas com a paz, o desapego e o libertar-se da dor; algumas dedicam a vida ao sucesso, à opulência, ao poder ou à verdade; outras buscam a autotranscendência e mergulham numa causa ou em outro ser – um ente querido ou uma essência divina; outras ainda encontram o sentido numa vida de prestação de serviços, no pleno desenvolvimento pessoal ou na expressão criativa. Dizia Nietzsche: precisamos da arte para que a verdade não nos destrua. Yalom conclui: daí eu considerar a criatividade como a via régia e ter transformado minha vida inteira, todas as minhas experiências, todas as minhas fantasias, na mistura íntima a partir da qual tento modelar, de tempos em tempos, alguma coisa nova e bonita.

Como mães podemos ser a presença que apoia, que ilumina, que contribui, formando filhos que cresçam e libertem-se, tornando-se independentes e com autoimagem positiva, que sejam éticos e com alto senso de humanidade.

Disse Nietzsche: Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.

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